sábado, 11 de outubro de 2008

Amor e sexo


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Crônica que o Arnaldo Jabor fez sobre "AMOR & SEXO (depois Rita Lee musicou a crônica do Jabor).A música é mais conhecida.


E é linda! De tão legal é o texto do Jabor que me reservo ao direito de permanecer em silêncio (ufa, até que enfim) e mandar a crônica para vocês.




Com vocês,

AMOR & SEXO - Arnaldo Jabor




"Amor é propriedade.


Sexo é posse.


Amor é a lei.


Sexo é invasão.


O amor é uma construção do desejo.


Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele.


Ninguém se masturba por amor.


Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.


O sexo vem antes. O amor vem depois.


No amor, perdemos a cabeça deliberadamente.No sexo, a cabeça nos perde.


O amor precisa do pensamento.No sexo, o pensamento atrapalha.



O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas.


O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude.


O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser,dependendo da posição adotada.


O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.

O amor é mais narcisista, mesmo entrega, na 'doação'. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo.

Amor é um texto. Sexo é um esporte.

Amor não exige a presença do 'outro'. O sexo, mesmo solitário,precisa de uma 'mãozinha'.

Certos amores nem precisam de parceiro;florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não - é mais realista.Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade.

O amor vem de dentro, o sexo vem de fora.O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. O sexo é uma selva de epilépticos' (N. Rodrigues).

O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.

O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói - quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: 'Faça amor, não faça a guerra'.Sexo quer guerra.
O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo.Amor é egoísta; sexo é altruísta.
O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas.
O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica.


O sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for men'. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século XII e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã.Amor é literatura. Sexo é cinema.
Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo.
O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa nossas fantasias.




Não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.~

O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa 'grandeza'. O sexo é mais embaixo.
O perigo do sexo é que você pode se apaixonar.
O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há 'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor.

O amor sonha com a pureza.
Sexo precisa do pecado.
Amor é a lei.
Sexo é a transgressão.
Amor é o sonho dos solteiros.
Sexo, o sonho dos casados.

Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa.
O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder.
Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político.
Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta".




Depois de tudo isso,vou falar o que né? O cara é bom (e paro por aqui, porque não sou boba, né?)



Beiijinho's doce
Dessa.


fuii-mi

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