Quando saio pelas ruas, alguns me olham feio, porém outros me admiram. Querem me pegar - fujo.
E, mesmo com meu total silêncio, acabo arrumando briga. Incomodo por existir.
Não escondo quando estou feliz: meu corpo me entrega, soltando sua particular melodia
Me dou bem com loucos.
Meus olhos não tão pequenos passam o dia admirando os estranhos corpos que se movimentam pelo espaço.
O que fazem dentro do que é meu? Sou a dona do tempo. Faço o que quiser com ele. Sou a verdadeira filha de Deus.
Sou da vida.
Gosto de sol, gosto de estantes, de papel, de livros, gosto de coisas eternas: sou tão viva que sei, talvez eu sinta que tenho sete vidas pela frente.
A janela é um abismo?
Sentada na calçada, olhando a rua, o nada, sinto imenso desprezo e desejo por tudo isso. Porque sou oito, sou oitenta. Meu corpo sentado tem a forma deste número. Sou uma e mais sete ocupando o mesmo espaço. Por isso nem sempre me aguentam em minha insuportável leveza.
Sou bonita, pelo menos me acho!
Jamais causarei indiferença em uma pesssoa.
Sou curiosa e, ao contrário do que dizem, a curiosidade não me mata: me faz viver
sou sem-vergonha. Uma vez fugi de casa e voltei toda revoltada.
Sou especial. Minha especialidade é sobreviver.
Eu, pela minha natureza, terei que tentar agora seis vezes - oh, como é cansativo morrer. Por isso permaneço viva.
Porque durmo sem precisar de remédios?!
sei não!
Porque enxergo no escuro?
porque brinco com 'eles'?
Não é por crueldade, mas para que 'eles' assim como eu vivam bons momentos.
E sabe como é, viver demora , e preciso me divertir .
Pularei, cairei, me fingirei de coitada, me afastarei dos abismos e dos acidentes feios . E logo depois darei uma espreguiçada e um bocejo. Amanhã será mais um dia como outro qualquer, mais um daqueles dias em que o tédio não me derrotará.
Beijoca's doce
Dessa *-*
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